O signo: a terceira posição e a figura

O signo: a terceira posição e a figura

Iwori Meji é o terceiro na lista de senioridade de Abímbọ́lá e na entrada do Tratado. Veja a figura II-I-I-II e como a tradição explica o lugar.

O terceiro da fila

Quem abre a lista dos dezesseis Odus principais encontra primeiro Ejiogbe, depois Oyeku, e só então Iwori Meji. Na ordem de senioridade que Wándé Abímbọ́lá registra em Sixteen Great Poems of Ifá (p. 29), Iwori Méji ocupa o terceiro lugar. A lista corre em duas colunas, com os números ímpares (1, 3, 5…) de um lado e os pares (2, 4, 6…) do outro: Iwori aparece como o número 3, logo abaixo de Eji Ogbé, e Oyeku Meji como o número 2 (Abímbọ́lá, Sixteen Great Poems of Ifá, p. 29). Esta é a ordem que o site adota desde o módulo 9, e é por ela que o curso chega a Iwori depois de Ejiogbe (módulo 11) e Oyeku (módulo 12).

Um Meji é um Odu "puro": a mesma perna do signo aparece duas vezes, à direita e à esquerda. A ficha do site para Iwori Meji registra a figura como II - I - I - II, isto é, marca dupla, marca simples, marca simples, marca dupla (ficha iwori, em /odu/iwori, que cita Abímbọ́lá, p. 29, e Bascom, Ifa Divination, caps. III–IV, para o mecanismo do oráculo). Quem fez o módulo 2 reconhece o desenho: duas marcas duplas nas pontas, duas marcas simples no meio. Esta lição olha para esse desenho e para o lugar do signo na fila, e deixa para as quatro seguintes a essência, os patakís, os dois lados do signo e o nome nas tradições.

A forma do nome depende da tradição de que se fala. No Tratado Enciclopédico de Ifá, a entrada do signo abre na p. 170 com o título "Iwori Meyi", grafia cubana que o site usa em odu-lucumi.ts (Tratado, p. 170). Na lista nigeriana de Abímbọ́lá a grafia é "Iwori Méji" (p. 29). Não são dois signos, e sim a mesma posição escrita por duas tradições; este curso guarda sempre a grafia da fonte de que a frase fala. O mesmo vale para a figura: a entrada do Tratado a reproduz no cabeçalho, com os quatro níveis de marcas, antes de começar o texto (Tratado, p. 170).

O que torna Iwori interessante já na primeira lição é que a posição "terceiro" não é um dado neutro. O Tratado dedica páginas inteiras a explicar como o signo chegou a ela: diz que, no céu, Iwori era o mais antigo dos Olodu (apóstolos) de Orunmila e que perdeu a antiguidade para dois irmãos mais novos, Ejiogbe e Oyeku Meji (Tratado, p. 170). A lista de Abímbọ́lá apenas ordena; o Tratado conta por que a ordem é essa. As duas fontes concordam no resultado, o terceiro lugar, e é essa concordância, mais do que qualquer uma das duas sozinha, que sustenta o título desta lição. Nas seções seguintes lemos o que o Tratado diz do céu, o que conta da terra e o que a figura permite (e não permite) dizer.

No céu: o mais antigo de Orunmila

A entrada do Tratado começa por uma afirmação que surpreende quem só conhece a lista: "estando no céu, Iwori era o Olodu (apóstolo) mais antigo de Orunmila" (Tratado, p. 170, tradução nossa do espanhol). O mesmo parágrafo o descreve como muito eficiente na arte e nas práticas de Ifá, formador de vários sacerdotes celestiais, com muitos auxiliares trabalhando para ele. E diz, na sequência, o que o fez descer na fila: era "muito presunçoso", o que "explica por que eventualmente perdeu sua antiguidade" para Ejiogbe e Oyeku Meji, "que eram, por outro lado, muito mais jovens que ele no céu" (Tratado, p. 170).

O texto acrescenta uma observação de método que convém repetir: do trabalho celeste de Iwori "não existem os contos", porque ele não permitiu que seus seguidores viessem à terra, e eles teriam revelado aqui essas obras. Alguns trabalhos, porém, foram contados por quem se beneficiou deles (Tratado, p. 170). Os patakís que o Tratado traz em seguida, sobre o Sol, a Lua e a Escuridão, sobre a conta de coral e sobre o chumbo, vêm desse segundo caminho (Tratado, pp. 170–172); a lição 3 volta a eles. Aqui interessa só o retrato do signo no céu: o mais velho, hábil e orgulhoso.

A passagem que explica a terceira posição está na p. 174, sob o subtítulo "Iwori Meyi parte do céu para a terra". Segundo o Tratado, foi "a demora e a complacência" que o levaram à terceira posição ao chegar à terra. Quando Orunmila voltou da sua viagem à terra e convidou os dezesseis filhos a ir fundar ali uma morada permanente, propôs que fossem um de cada vez. Iwori Meji foi o primeiro a falar: disse que era tão útil no céu que ainda não era a hora de partir, e argumentou que "um bom general não envia seus melhores soldados para serem os primeiros na batalha". Propôs então que o primeiro a ir fosse Ejiogbe, a quem descreveu como o único Olodu sociável o bastante para tratar com as outras divindades e como o melhor embaixador da casta de Orunmila (Tratado, p. 174). Ejiogbe se ofereceu para guiar a partida. Mais tarde, foi também Iwori quem propôs que Oyeku Meji fosse o seguinte; Oyeku, como se viu no módulo 12, nasceu de noite e foi coroado rei da noite (Tratado, p. 174). Só ao ouvir as notícias de que a vida prosperava na terra Iwori decidiu seguir os dois irmãos (Tratado, p. 174).

Há aqui uma leitura que é nossa, e que marcamos como tal: o relato tem a forma de uma lição sobre o custo de esperar. Quem propõe que os outros vão primeiro vê os outros chegarem primeiro. O Tratado não formula essa moral; diz apenas que a demora e a complacência foram a causa (Tratado, p. 174). O resto é interpretação do curso, que o leitor pode aceitar ou não.

Na terra: a disputa pela antiguidade

Ao chegar, Iwori encontra os dois irmãos mais novos já coroados: Ejiogbe, rei do dia, e Oyeku Meji, rei da noite. O Tratado diz que ele estava decidido, "desde o princípio", a estabelecer na terra a sua antiguidade celeste (Tratado, p. 176). E acrescenta um detalhe sobre a figura que vale guardar: "inclusive seu signo, dois dentro e dois fora, foi desenhado para desafiar as autoridades de Ejiogbe e de Oyeku" (Tratado, p. 176, tradução nossa). A frase é do Tratado e não deve ser lida como regra geral de leitura das figuras: é a explicação que aquela tradição dá para o desenho deste signo.

A cena que segue é contada com precisão. Numa tarde, sentado diante da casa, Iwori vê passar uma procissão em que todos se inclinam diante do homem a cavalo à frente: é Ejiogbe. Iwori não se ajoelha; apenas sacode o seu próprio rabo de cavalo (oroke), como os awoses costumavam fazer para saudar. Não via razão para se ajoelhar diante do irmão mais novo, embora, nota o texto, nada na tradição dispense o irmão mais velho de um rei de se ajoelhar para saudá-lo. Ejiogbe interrompe a procissão e ordena que, se Iwori se julga grande demais para saudá-lo, fique de agora em diante dentro de casa durante o dia (Tratado, p. 176).

À noite repete-se a cena com Oyeku Meji, a quem Iwori também não saúda de joelhos, e a resposta é simétrica: que não saia à noite. O resultado, diz o Tratado, é que lhe ficou proibido sair de casa de dia ou de noite, a ponto de nem poder ir buscar o pão de cada dia (Tratado, p. 176). A saída vem por meio de Exu, que se transfigura em um chefe e aconselha Iwori a convidar os irmãos para uma reunião (Tratado, p. 176). Os três se encontram ao pé da palmeira por onde as divindades desceram do céu e por onde Orunmila voltou a ele. Ejiogbe e Oyeku insistem em manter a superioridade; o acordo final é que Iwori ocupe a terceira posição, que ele aceita "de má vontade" (Tratado, pp. 176–177).

Terceiro filho, terceiro lugar

O Tratado tira desse episódio uma consequência para a leitura do signo, que reproduzimos como informação da fonte, sem tomá-la como regra nossa: quando Iwori Meji sai no ugbodu, a pessoa deve ser o terceiro dos filhos de uma família, ou ter renascido, isto é, ter morrido pouco depois do nascimento e nascido de novo dos mesmos pais (Tratado, p. 177). O autor da entrada ilustra com um caso da própria família, o de um filho cujo Ifá é Iwori Meyi (Tratado, p. 177). Registramos a afirmação com a sua página e nada mais: não a transformamos em critério para ninguém, e o curso estuda o texto, não aplica o signo a pessoas.

A entrada segue com a história mais longa do conjunto, a dos awoses celestiais que visitam os nobres do mundo com uma proclamação sobre quem consegue dizer os seus nomes (Tratado, pp. 175 e 177). Essa história é matéria da lição 3 e não a antecipamos aqui.

O que a figura diz, e o que não diz

Voltemos à figura. A ficha do site registra II - I - I - II; o Tratado, no cabeçalho da entrada, desenha os quatro níveis e depois afirma, na p. 176, que o signo é "dois dentro e dois fora". Lidas juntas, as duas fontes dizem a mesma coisa de dois modos: marcas duplas nas extremidades da perna, marcas simples no meio (ficha iwori; Tratado, pp. 170 e 176). Quem compara com Ejiogbe (todas as marcas simples) e com Oyeku (todas duplas) vê por que a tradição fala em desafio: Iwori mistura, na mesma perna, os dois desenhos dos irmãos que o precedem. Esta comparação é leitura nossa; o Tratado fala do desafio, mas não faz a comparação por extenso.

Convém dizer também o que esta lição não faz. Não diz o que Iwori "significa" para quem quer que seja, não descreve rezo nem ẹbọ, e não propõe nada para a vida de ninguém. A entrada do Tratado contém material desse tipo; o Ifá Wisdom estuda o texto como texto, com obra e página, e não o transforma em receita. Nas quatro lições seguintes, a ficha do site (a essência), os patakís da entrada, os avisos e os refranes e, por fim, o nome nas tradições serão lidos com a mesma régua.

Fontes desta lição: Abímbọ́lá, "Sixteen Great Poems of Ifá", p. 29 (senioridade); Bascom, "Ifa Divination", caps. III–IV (o mecanismo do oráculo); Tratado Enciclopédico de Ifá, entrada de Iwori Meyi, pp. 170–177; ficha de /odu/iwori. Ver /fontes.