Glossário

72 termos de Ifá, do Candomblé e da Santería, cada um com a obra e a página onde foi conferido. Onde a nossa bibliografia não sustenta o termo, o verbete diz isso.

O iorubá é língua tonal: não inventamos guias de pronúncia. As grafias são as correntes no Candomblé, na Santería e na Nigéria.

As Tradições

Candomblé
a religião brasileira que preservou o culto aos Orixás. A casa de culto é o terreiro, sob a responsabilidade de um pai ou mãe de santo; organiza-se em nações, cada uma com liturgia própria. A história completa
Fonte: Verger, Orixás, p. 32; Prandi, Introdução.
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Ìṣẹ̀ṣe
designação contemporânea da religião tradicional iorubá praticada na Nigéria. O termo não aparece nas obras clássicas da nossa bibliografia; Beniste registra ìṣẹ̀dáyé, "origem do mundo", da mesma raiz.
Fonte: Beniste, p. 400; lacuna assumida.
Lucumí
o nome que os iorubás e seus descendentes receberam em Cuba; designa também a língua ritual da Santería. Verger descreve os cabildos de Regla, "irmandades compostas de descendentes de africanos lucumi (iorubá)".
Fonte: Verger, Orixás, p. 72.
Nação
no Candomblé, a linhagem litúrgica de origem: Ketu (iorubá, também dita nagô), Jeje (fon/ewe, o povo dos voduns) e Angola (bantu). Os tambores já contam a diferença: cravelhas nos nagôs e jejes, cunhas de madeira nos ngomas de origem congolesa e angolana.
Fonte: Verger, Orixás, p. 33; Prandi, s.v. Vodum.
Regla de Ocha
o nome próprio da tradição cubana dos Orixás, popularmente chamada Santería; a Regla de Ifá é o ramo do sacerdócio de Ifá. "Ocha" é a forma cubana de òrìṣà.
Fonte: Prandi, Introdução; Tratado, passim.
Umbanda
religião brasileira nascida no século XX, que Verger descreve como "uma mistura entre as religiões africanas, o espiritismo de Allan Kardec e outras elaborações filosófico-religiosas de tendências universalistas".
Fonte: Verger, Orixás, p. 71.

Divindades e Seres

EgunTambém: Égún, Egúngún, eggún
o antepassado, o espírito do morto; alguns Orixás são eguns divinizados. Iansã é "a dona dos eguns".
Fonte: Prandi, s.v. Egum e Oiá.
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ExuTambém: Èṣù, Eshu, Elegbá, Elegguá
a divindade da comunicação entre o céu e a Terra, dos caminhos e da fertilidade; é dele a encruzilhada. Sempre o primeiro a ser saudado. É Exu quem guarda o àṣẹ com que Olodumare criou o mundo — por isso até os outros Orixás precisam dele. Em Cuba, Eleguá nomeia o Orixá e "Exu" fica reservado aos seus aspectos perigosos. Não é o diabo: essa associação é herança colonial. Artigo completo
Fonte: Beniste, p. 218; Abímbọ́lá, p. 5; Prandi, s.v. Exu e Eleguá.
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IansãTambém: Ọya, Yánsàn, Oyá, Yansá
Orixá dos ventos, do raio e da tempestade, senhora dos eguns e uma das esposas de Xangô. Artigo
Fonte: Prandi, s.v. Iansã e Oiá.
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IemanjáTambém: Yemọja, Yemayá
dona das águas e mãe dos Orixás. Na Nigéria é cultuada no rio Ògùn, em Abẹ́òkúta; na diáspora tornou-se a senhora do mar. Artigo
Fonte: Beniste, p. 562; Prandi, s.v. Iemanjá.
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IrunmoleTambém: irúnmọlẹ̀, imọlẹ̀
as divindades que habitaram a Terra nos tempos primordiais e participaram da Criação. Diz-se que são 401 — ou seja, incontáveis.
Fonte: Prandi, "Odudua cai na armadilha que ele mesmo prepara para Oxalá"; Beniste, p. 225 (s.v. ẹbọra).
LogunedéTambém: Lógun Ède
Orixá da caça e da pesca, "filho de Erinlé ou Oxóssi com Oxum": Erinlé na Nigéria e em Cuba (onde se chama Inlé), Oxóssi no Brasil, que tomou o lugar do pai em muitos mitos. Artigo
Fonte: Prandi, s.v. Logum Edé e Erinlé.
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Nanã BurukúTambém: Nàná Bùrúkú
Orixá do fundo dos lagos, dona da lama com que Obatalá modelou o ser humano; mãe de Obaluaiyê e Oxumaré, com quem forma a tríade de voduns do Daomé incorporada ao panteão dos Orixás. Artigo
Fonte: Prandi, s.v. Nanã; Verger, Orixás, p. 75.
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ObáTambém: Ọ̀bà, Obba
Orixá do rio Obá, uma das esposas de Xangô. Não confundir com ọba, "rei". Artigo
Fonte: Prandi, s.v. Obá.
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ObaluaiyêTambém: Ọbalúayé, Omolu, Ṣànpọ̀nná, Babalú Ayé, Azowanu
o senhor da terra, das doenças contagiosas e da cura. Seu culto, como o de Nanã, é anterior à chegada de Ogum: os sacrifícios que lhe são feitos não usam ferro. Artigo
Fonte: Verger, Orixás, p. 75; Prandi, s.v. Obaluaê; Tratado, p. 64 e 310.
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ObataláTambém: Ọbàtálá, Òrìṣàńlá, Oxalá, Oxalufã, Oxaguiã
o Orixá da Criação, que modelou o ser humano; considerado o maior dos Orixás. Artigo
Fonte: Prandi, s.v. Obatalá, Oxalá, Oxalufã e Oxaguiã; Beniste, p. 592.
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OgumTambém: Ògún, Ogún
"a divindade do ferro e das batalhas", da metalurgia, da agricultura e da guerra. Artigo
Fonte: Beniste, p. 562; Prandi, s.v. Ogum.
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OlodumareTambém: Olódùmarè, Olórun
o Ser Supremo, "Deus, o Onipotente", que criou os Orixás e lhes deu as atribuições de criar e reger o mundo.
Fonte: Beniste, p. 574; Prandi, s.v. Olodumare e Olorum.
OlofinTambém: Olófin
em iorubá, "legislador, juiz"; na Nigéria, um título régio — Prandi o dá ao rei de Oió, Abímbọ́lá o identifica com Odùduwà. Em Cuba, o nome pelo qual a tradição se refere ao Deus Supremo.
Fonte: Beniste, p. 574; Abímbọ́lá, p. 343; Prandi, s.v. Olofim.
OlokunTambém: Olókun
a divindade do oceano profundo; feminina para Beniste, mãe de Iemanjá para Prandi, masculina em outras tradições. No Brasil sobrevive como uma qualidade de Iemanjá.
Fonte: Beniste, p. 575; Prandi, s.v. Olocum.
OrixáTambém: òrìṣà, Orisha, Ocha
"divindades representadas pelas energias da natureza, forças que alimentam a vida na terra, agindo de forma intermediária entre Deus e as pessoas, de quem recebem uma forma de culto e oferendas".
Fonte: Beniste, p. 592; Prandi, s.v. Orixá.
OrunmiláTambém: Ọ̀rúnmìlà, Orula, Orunla
a divindade da sabedoria e do oráculo de Ifá, "testemunha do destino" (Eléèrì Ìpín). Ifá é, a rigor, o nome do sistema de consulta, e Orunmilá o seu senhor. Importantíssimo em Cuba, quase esquecido no Brasil.
Fonte: Beniste, p. 625; Verger, Orixás, p. 56; Prandi, s.v. Orunmilá.
OssainTambém: Ọ̀sányìn, Osain
o Orixá das folhas, que cura com as ervas. "Nenhuma cerimônia pode ser feita sem a sua presença": é ele o detentor do àṣẹ das plantas. As folhas sagradas
Fonte: Prandi, s.v. Ossaim; Verger, Orixás, p. 53.
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AroniTambém: Àrònì
o duende de uma perna só que habita a floresta em companhia de Ossain e conhece o uso medicinal das ervas.
Fonte: Prandi, s.v. Aroni; Verger, Orixás, p. 54.
OxóssiTambém: Ọ̀ṣọ́ọ̀sì, Oshosi, Ochosi
o Orixá da caça, rei de Ketu. Artigo
Fonte: Prandi, s.v. Oxóssi; Verger, Orixás, p. 3.
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OxumTambém: Ọ̀ṣun, Oshun, Ochún
Orixá do rio Oxum, deusa das águas doces, do ouro e da beleza; uma das esposas de Xangô. Artigo
Fonte: Prandi, s.v. Oxum.
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OxumaréTambém: Òṣùmàrè
a serpente-arco-íris, que recolhe a água caída na chuva e a devolve às nuvens; macho e fêmea ao mesmo tempo, símbolo da continuidade. Enrola-se em volta da Terra para que ela não se desagregue. Artigo
Fonte: Verger, Orixás, p. 73; Prandi, s.v. Oxumarê.
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XangôTambém: Ṣàngó, Shango, Changó
Orixá do trovão e da justiça; "teria sido rei de Cossô e o quarto rei de Oió". Artigo
Fonte: Prandi, s.v. Xangô.
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Conceitos Filosóficos

AxéTambém: àṣẹ, ashé
"força, poder, o elemento que estrutura uma sociedade"; a força vital que transforma o mundo. Também a palavra que sela uma prece: Àṣẹ dọwọ́ Olódùmarè, "que assim seja — o poder está nas mãos de Deus". O que é Axé
Fonte: Beniste, p. 128; Prandi, s.v. Axé.
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AiyéTambém: ayé
o mundo, o planeta, o plano dos vivos; o oposto de Orun.
Fonte: Beniste, p. 144; Prandi, s.v. Aiê.
EwóTambém: èèwọ̀
o tabu, a interdição: "uma forma de manter o equilíbrio entre o mundo material e o mundo espiritual, por meio de determinadas regras de conduta". Cada Orixá — e cada Odu — tem os seus.
Fonte: Beniste, p. 220; Prandi, s.v. Euó.
Ibi
o mal, o infortúnio, o aviso — o contrário de ire.
Fonte: Beniste, p. 331.
IreTambém: ire, oore
a bondade, a bênção, a sorte. Ẹ kú orí're o! — "boa sorte!", literalmente "salve a sua boa cabeça".
Fonte: Beniste, p. 388.
ItanTambém: ìtàn
a história, a narrativa. Para os iorubás, "nada é novidade, tudo o que acontece já teria acontecido antes": reconhecer no mito o que se repete hoje é a chave do oráculo.
Fonte: Beniste, p. 590 (s.v. ọpìtàn); Prandi, Introdução.
Ìwà Pẹ̀lẹ́
ìwà é "caráter, conduta, comportamento"; ìwà pẹ̀lẹ́, a gentileza, o caráter brando. Para Ifá, o valor mais alto de uma vida: Ènìà nílàti tójú ìwà rẹ̀, "a pessoa precisa cuidar da sua maneira de ser". Artigo
Fonte: Beniste, p. 408-409; Abímbọ́lá, p. 132.
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OduTambém: odù, oddun
cada um dos signos do oráculo de Ifá, "que revela histórias em forma de poemas, que servem de instruções diante de uma consulta". São 16 principais (os Meji) que, combinados dois a dois, formam 256. Na África os poemas são recitados de cor; em Cuba, guardados em cadernos; no Brasil conservaram-se os nomes e os presságios, e os poemas se perderam. O que é Ifá
Fonte: Beniste, p. 558; Abímbọ́lá, p. 14; Prandi, s.v. Odu.
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OmoluoTambém: ọmọ odù, àmúlù, omoluo
"os 240 signos menores de Ifá, quando os sinais da coluna da direita são diferentes dos da esquerda" — cada um nascido da combinação de dois Meji distintos.
Fonte: Beniste, p. 619; Abímbọ́lá, p. 14; Tratado, p. 398.
Orí
a cabeça; e a "cabeça interior", a divindade pessoal de cada indivíduo, que escolhe o próprio destino antes de nascer e recebe oferendas no borí. Ter orí're, "boa cabeça", é ter sorte. Orí e responsabilidade
Fonte: Beniste, p. 591-592; Prandi, s.v. Ori; Abímbọ́lá, p. 158.
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OrunTambém: ọ̀run
o céu, o plano divino onde estão as divindades e os espíritos, dividido em setores; para os iorubás, nove mundos paralelos. De onde tudo vem e para onde tudo retorna.
Fonte: Beniste, p. 625; Prandi, s.v. Orum.
OsoboTambém: osogbo
na Regla de Ifá, o nome do ibi: o caminho que pede cuidado, oposto ao ire. Não confundir com Òṣogbo, a cidade nigeriana de Oxum.
Fonte: Tratado, p. 15 e 18; Verger, Orixás, p. 63.
PatakíTambém: patakín
em Cuba, o nome das histórias dos Odus e dos Orixás, "que os babalaôs mantêm escritas em cadernos que conservam em segredo".
Fonte: Tratado, p. 23; Prandi, s.v. Odu.
Sùúrù
a paciência. Sùúrù òògùn ayé: "a paciência é o remédio do mundo".
Fonte: Beniste, p. 144.

Títulos e Sacerdócios

Awo
"segredo, mistério"; o nome do próprio culto de Ifá, uma sociedade semissecreta, e por extensão quem foi iniciado nele.
Fonte: Abímbọ́lá, p. 5-6; Beniste, p. 126 (s.v. aṣawo).
BabalawoTambém: bàbáláwo, bàbá, ní, awo
o sacerdote de Ifá, "pai do segredo", que lê o Opele e os Ikin. Sua iniciação é intelectual, sem transe: anos de memorização dos versos dos 256 Odus. Como funciona
Fonte: Beniste, p. 148; Abímbọ́lá, p. 5; Verger, Orixás, p. 56.
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BabalorixáTambém: bàbálórìṣà
o sacerdote que dirige um terreiro de Candomblé; o "pai de santo", também chamado zelador ou babalaxé.
Fonte: Beniste, p. 148; Verger, Orixás, p. 32.
IyalorixáTambém: ìyálórìṣà
a sacerdotisa que dirige um terreiro; a "mãe de santo". O oráculo dela é o merindilogun — um ofício distinto do babalawo, não uma versão dele: no Brasil, "onde os babalaôs se extinguiram", o jogo passou aos pais e mães de santo.
Fonte: Beniste, p. 413; Verger, Orixás, p. 32; Prandi, Introdução.
Ìyánífá
a mulher consagrada em Ifá, que opera o oráculo, na Ìṣẹ̀ṣe nigeriana. O título não aparece em Abímbọ́lá (1975) nem no Tratado; nem todas as linhagens o reconhecem, e o debate é vivo. Quem pode ser
Fonte: Lacuna assumida.
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Omo AwoTambém: ọmọ awo
o aprendiz de Ifá: "o conhecimento é transmitido do babalaô ao omo awo, do mestre ao discípulo".
Fonte: Verger, Ewé, p. 21; Tratado, passim.
Padrino / Madrina
na tradição cubana, quem inicia e acompanha o afilhado; a relação que estrutura a linhagem. Em iorubá, bàbá ìsàmì.
Fonte: Tratado, passim; Beniste, p. 148.

O Oráculo e Seus Instrumentos

Ikin
os 16 coquinhos do dendezeiro consagrados a Ifá, "que simbolizam a personalidade de Orunmilá": só servem os que têm quatro olhos. É o instrumento mais antigo — com eles Orunmilá se substituiu na Terra ao voltar ao Orun. Um 17º, o odùṣọ́, vigia o jogo sem participar dele.
Fonte: Beniste, p. 211, 367 e 559; Abímbọ́lá, p. 12-13.
Ikofá
na Regla de Ocha, a recepção de Orunmilá pelas mulheres; o par de Awofakán.
Fonte: Tratado, p. 14 e 1762.
Itefá
a cerimônia de iniciação que revela o Odu de nascimento — uma vez na vida. Não é uma consulta. "Todo indivíduo nasceu ligado a um desses 256 odù": no nascimento, os pais pedem ao babalaô que o indique. O termo é da tradição nigeriana; em Cuba diz-se "fazer Ifá". O Odu de nascimento
Fonte: Verger, Orixás, p. 56.
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IyerosunTambém: ìyẹ̀ròsùn, iyefá
"pó vegetal da árvore ìròsùn, usado para marcar os traços de Ifá": produzido por cupins, amarelado, espalhado sobre o opón.
Fonte: Beniste, p. 416; Abímbọ́lá, p. 16-17.
Mão de OrunmiláTambém: Mano de Orula, Awofakán
na tradição cubana, a primeira recepção de Orunmilá pelos homens: dezesseis ikin entregues numa cerimônia.
Fonte: Tratado, p. 34 e 1416.
MerindilogunTambém: mẹ́rìndínlógún, dilogún
o jogo de búzios: o oráculo dos Orixás, jogado por iyalorixás e babalorixás. Na iniciação descrita por Verger, o iniciado recebe dezesseis búzios nas mãos e os lança para descobrir o odù que "governará a vida" dele. Não é o oráculo de Ifá — são ofícios distintos.
Fonte: Verger, Orixás, p. 27-28; Prandi, Introdução; Tratado, passim.
ObíTambém: obì
a noz-de-cola, "usada em ritos religiosos"; partida em gomos, é o oráculo das perguntas diretas. Em Cuba, substituída pelo coco.
Fonte: Beniste, p. 556; Prandi, s.v. Obi.
OpeleTambém: ọ̀pẹ̀lẹ̀, okpele
"corrente intercalada com oito sementes côncavas": o instrumento de trabalho do babalawo, que a lança e lê de uma vez o signo. Mais rápido que os ikin, reservados às ocasiões maiores. Como funciona
Fonte: Beniste, p. 622; Abímbọ́lá, p. 15-16.
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Opón IfáTambém: ọpọ́n Ifá
"a bandeja na qual são riscados os traços dos odù"; a borda entalhada traz o rosto de Exu, que leva e traz as mensagens.
Fonte: Beniste, p. 622; Abímbọ́lá, p. 18.

Ritual, Culto e Comidas Votivas

Abadô
milho torrado, comida votiva de Obaluaiyê no Candomblé.
Fonte: Uso corrente nos terreiros; o termo não consta da nossa bibliografia.
Aberém
"milho cozido enrolado em folhas de bananeira", servido a Obaluaiyê no olubajé, a festa anual das suas comidas; nos terreiros, também a Nanã. Não é pipoca.
Fonte: Verger, Orixás, p. 80.
AcarajéTambém: àkàrà
"bolinho frito feito de pasta de feijão-fradinho", no azeite de dendê; comida de Iansã. A história
Fonte: Beniste, p. 84; Prandi, s.v. Acarajé; Verger, Orixás, p. 19.
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Adimú
em Cuba, a oferenda simples de comida, sem sacrifício animal.
Fonte: Tratado, p. 234 e 249.
AmaláTambém: àmàlà
o prato de quiabo com camarão seco e dendê, comida predileta de Xangô; na Bahia, também chamado caruru. Artigo
Fonte: Prandi, s.v. Amalá; Verger, Orixás, p. 19 e 88.
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Atotô
a saudação de Obaluaiyê, com que o Orixá é acolhido ao se manifestar: um pedido de silêncio e reverência. Artigo
Fonte: Verger, Orixás, p. 80; Prandi, mitos de Obaluaê.
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Axoxô
milho cozido com coco, comida de Oxóssi no Candomblé.
Fonte: Uso corrente nos terreiros; o termo não consta da nossa bibliografia.
EbóTambém: ẹbọ, ebbó
"oferenda ou sacrifício feito às divindades"; a ação ritual que o oráculo prescreve para reequilibrar um caminho. "Fazer o sacrifício traz bênçãos; negligenciá-lo não abençoa ninguém", dizem os versos de Ifá. Indicá-lo é ofício do sacerdote — sempre.
Fonte: Beniste, p. 225; Abímbọ́lá, p. 41; Prandi, s.v. Ebó.
IlêTambém: ilé, Terreiro
a casa: ilé é "casa" em iorubá (ilé ọba, palácio; ilé Ọlọ́run, igreja) e ilẹ̀, o chão, a terra. No Brasil, a casa de culto é o terreiro.
Fonte: Beniste, p. 374; Verger, Orixás, p. 32.
Omolocum
feijão-fradinho com ovos, comida de Oxum no Candomblé.
Fonte: Uso corrente nos terreiros; o termo não consta da nossa bibliografia.
Oríkì
"título, nome, louvação que ressalta fatos de uma sociedade, de uma família ou de uma pessoa": a poesia que canta os nomes e os feitos de um Orixá.
Fonte: Beniste, p. 591; Prandi, s.v. Oriqui; Verger, Orixás, p. 38.
OfóTambém: ofọ̀
"cantiga de encantamento": as frases, muitas vezes poéticas, que enunciam a qualidade de uma folha e a fazem trabalhar. Sem o seu ofó, a folha é só planta.
Fonte: Prandi, s.v. Ofó; Verger, Ewé, p. 18.
PipocaTambém: dobúru
a comida que acalma Obaluaiyê: foi com pipoca que os mahis apaziguaram Xapanã, e "pipocas acalmam Obaluaê", repete o mito. As flores que cobrem as feridas. O nome dobúru Verger, Orixás, p. 75; Prandi, mitos de Obaluaê. Artigo
Fonte: é de uso corrente no Candomblé; não consta da nossa bibliografia.
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XirêTambém: ṣiré, iré
a roda de cantos e danças que abre a festa pública do Candomblé, saudando os Orixás em ordem; antes dele faz-se o padê de Exu.
Fonte: Beniste, p. 388; Prandi, s.v. Xirê; Verger, Orixás, p. 34.

Este glossário é a versão de consulta do artigo Glossário iorubá: 60+ Termos Essenciais de Ifá e Candomblé

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